Stablecoins e tokenização: o que a ABcripto levou para o palco do Febraban Tech 2026

Julia Rosin, presidente da ABcripto, participou de dois painéis do Febraban Tech, defendendo que stablecoins e Pix são complementares — e que a tokenização de ativos financeiros no Brasil ainda depende de avanços regulatórios.

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Leitura de 3 min-02/09/2026, 07:30
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A Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) marcou presença em dois painéis do Febraban Tech 2026, realizada de 24 a 26 de agosto no Distrito Anhembi, em São Paulo. Representando a entidade, a presidente Julia Rosin subiu ao palco em dois momentos-chave do evento: primeiro para discutir o papel das stablecoins na infraestrutura financeira brasileira, e depois para debater os próximos passos da tokenização de ativos regulados no país.

Painel 1 — Stablecoins não competem com o Pix, elas o complementam

No dia 24 de agosto, Julia participou do painel "As stablecoins serão apenas mais um meio de pagamento ou a próxima grande evolução da infraestrutura financeira?", ao lado de Eduardo Abreu, vice-presidente de Novos Negócios da Visa no Brasil.

O recado central da presidente da ABcripto foi direto: "as stablecoins não têm pretensão de substituir o Pix". Para ela, a eficiência do sistema instantâneo criado pelo Banco Central e o uso consolidado do real como moeda oficial reduzem significativamente o risco de que stablecoins atreladas ao dólar assumam o papel da moeda brasileira no dia a dia dos consumidores.

Os dois instrumentos, segundo Rosin, ocupam espaços diferentes:

  • O Pix domina os pagamentos domésticos, com eficiência já comprovada em reais.

  • As stablecoins encontram maior relevância em transferências internacionais, remessas e operações entre empresas — o chamado mercado B2B, onde hoje se concentra o maior volume financeiro movimentado com esses ativos.

Um ponto que deve ganhar força nos próximos meses é o que Rosin chamou de adoção invisível: bancos, fintechs e empresas já usam stablecoins para estruturar produtos de remessas e pagamentos sem que o cliente final perceba que está lidando com um ativo digital — a tecnologia opera nos bastidores, enquanto a experiência do usuário permanece igual à de qualquer aplicativo financeiro tradicional.

A presidente da ABcripto também descartou o risco de dolarização da economia brasileira nos moldes vistos em países com forte desvalorização cambial, e defendeu que o avanço regulatório brasileiro precisa considerar a interoperabilidade com outros mercados — já que as stablecoins circulam globalmente por natureza.

Painel 2 — Tokenização de ativos ainda tem lacuna regulatória, admite Banco Central

Dois dias depois, em 26 de agosto, Julia voltou ao palco do Febraban Tech para o painel sobre tokenização, desta vez ao lado de nomes como Mardilson Queiroz, chefe do Departamento de Regulação do Banco Central, Álvaro Loureiro, do Santander Brasil, Bruno Balduccini, do escritório Pinheiro Neto Advogados, e Vicente De Chiara, da Febraban.

O debate trouxe uma admissão relevante direto da autoridade monetária: o Banco Central reconheceu que a regulamentação da tokenização de ativos financeiros no país ainda não está completa. Segundo Queiroz, o BC já avançou na regulação das prestadoras de serviços de ativos virtuais, mas falta uma segunda etapa — a tokenização de ativos já regulados, como CDBs, CCBs e duplicatas, temas que o mercado costuma confundir mas que exigem tratamentos distintos.

Nesse contexto, Julia chamou atenção para um desafio prático: como conectar o registro tradicional de um ativo à sua representação em uma rede DLT.

Essa integração é fundamental para que a tokenização possa trazer ganhos efetivos de eficiência. Sem uma conexão adequada entre as duas estruturas, há o risco de criar camadas duplicadas de registro, aumentando custos e reduzindo parte dos benefícios esperados com a tecnologia. 

Dois debates que apontam para a transformação da infraestrutura financeira

Stablecoins e tokenização partem de aplicações diferentes, mas os debates no Febraban Tech mostraram um ponto em comum: a tecnologia blockchain está cada vez mais próxima da infraestrutura financeira tradicional.

De um lado, stablecoins avançam em aplicações como pagamentos internacionais, remessas e operações B2B. De outro, a tokenização abre novas possibilidades para emissão, registro, negociação e liquidação de ativos, ao mesmo tempo em que traz questões regulatórias que ainda precisam avançar.

A participação da ABcripto nos dois painéis reforça o papel da associação na representação do setor e na construção do diálogo entre empresas, instituições financeiras e reguladores, contribuindo para que a evolução desse mercado aconteça com inovação, segurança jurídica e desenvolvimento sustentável da criptoeconomia brasileira. 

Redação ABcripto

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