Segurança nas operações com criptoativos: como proteger seus ativos virtuais

Artigo de opinião, Carolina Correia, Head de Operações da Coinext

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Leitura de 5 min-20/03/2026, 00:00
Categorias: Tecnologia
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O investimento em ativos virtuais já figura entre os formatos de aplicação mais populares entre os brasileiros. Esse crescimento reflete o amadurecimento do setor e o interesse crescente por novas formas de acesso ao mercado financeiro digital. Ao mesmo tempo, como ocorre em qualquer ambiente que envolve movimentação de recursos, a expansão também atrai tentativas de fraude e golpes.

Nesse cenário, segurança deixa de ser apenas um diferencial tecnológico e passa a ser um elemento estruturante do mercado. Para usuários e empresas, compreender os principais mecanismos de proteção — tanto operacionais quanto comportamentais — é fundamental para reduzir riscos e fortalecer a confiança nas transações com ativos virtuais. 

A evolução do setor tem mostrado que um ambiente seguro depende de três fatores que caminham juntos: infraestrutura tecnológica robusta, governança e conformidade das empresas, e educação contínua dos usuários. 

O que observar antes de escolher uma prestadora de ativos virtuais

Para quem deseja investir em criptoativos, a escolha da plataforma onde as operações serão realizadas é uma decisão importante. Em um mercado que envolve custódia e movimentação de recursos, aspectos institucionais e operacionais precisam ter peso igual ou maior que fatores como variedade de ativos ou custos de negociação. 

Alguns elementos ajudam o investidor a avaliar a solidez e a confiabilidade de uma prestadora de serviços de ativos virtuais. 

Existência formal da empresa 

Um primeiro passo é verificar se a empresa possui presença formal no Brasil. A consulta ao CNPJ, à situação cadastral, ao quadro societário e à existência de endereço e canais oficiais de atendimento ajuda a identificar se a plataforma possui estrutura institucional. 

Empresas com presença local estão sujeitas à legislação brasileira e às decisões de autoridades e do sistema de Justiça. Isso contribui para maior transparência e previsibilidade em caso de dúvidas ou eventuais disputas. 

Conformidade regulatória e governança

Prestadoras de serviços que atuam de forma estruturada normalmente adotam procedimentos de identificação de clientes (KYC) e políticas de prevenção à lavagem de dinheiro e ao financiamento do terrorismo (PLD/FT). Esses mecanismos seguem padrões internacionais e ajudam a reduzir riscos operacionais e reputacionais. 

Além disso, a governança sobre os ativos custodiados também merece atenção. Entre as práticas adotadas pelo setor, destacam-se:

  • Segregação patrimonial, que mantém separados os recursos dos clientes e os recursos operacionais da empresa. 

  • Estrutura de custódia segura, com uso de carteiras frias (cold wallets), múltiplas camadas de controle de acesso e gestão rigorosa de chaves privadas. 

  • Processos de auditoria e certificações de segurança, que avaliam controles internos, proteção de dados e padrões de confidencialidade. 

Esses mecanismos ajudam a reduzir a exposição a riscos operacionais e indicam um nível mais elevado de maturidade institucional. 

Proteções adicionais nas contas dos usuários

Outro aspecto importante é a presença de ferramentas de proteção diretamente na conta do usuário. Entre as mais comuns estão autenticação em dois fatores (2FA), validações biométricas e listas de endereços autorizados para transferência (whitelists). 

Essas camadas adicionais de verificação dificultam acessos não autorizados e contribuem para que apenas o próprio usuário consiga movimentar seus ativos. 

Histórico e reputação da plataforma

O tempo de atuação no mercado, a transparência institucional e o histórico de relacionamento com clientes também são fatores relevantes. Pesquisar a reputação pública da empresa, analisar eventuais incidentes passados e observar como a organização se posiciona diante de desafios operacionais pode trazer indicativos importantes sobre sua postura e governança. 

Engenharia social: o elo humano da segurança digital

Quando se fala em segurança no ambiente digital, muitas pessoas pensam imediatamente em ataques tecnológicos sofisticados. Na prática, uma parcela significativa dos golpes explora um fator mais simples: o comportamento humano. 

Esse tipo de abordagem é conhecido como engenharia social. Trata-se de um conjunto de técnicas usadas por criminosos para manipular psicologicamente as vítimas, levando-as a compartilhar informações confidenciais, transferir recursos ou fornecer códigos de segurança. 

Em muitos casos, os golpes não envolvem falhas nas plataformas ou sistemas. Eles acontecem fora do ambiente da corretora, a partir de contatos diretos com os usuários. 

Entre as práticas mais recorrentes estão: 

  • Falsos grupos de investimento em aplicativos de mensagens, que prometem oportunidades exclusivas ou retornos elevados em curto prazo. 

  • Esquemas de pirâmide financeira, frequentemente apresentados como plataformas automatizadas de investimento em criptoativos ou robôs de arbitragem. 

  • Perfis falsos em redes sociais ou sites clonados, que imitam empresas conhecidas para solicitar dados de acesso ou transferências. 

  • Tentativas de phishing, por meio de e-mails ou mensagens que simulam comunicações oficiais e direcionam o usuário para páginas falsas. 

Essas abordagens costumam explorar sentimentos como urgência, medo de perder oportunidades ou expectativa de ganhos rápidos. Por isso, uma regra simples costuma ser eficaz: desconfie de promessas de rendimento garantido ou de ofertas que pressionam por decisões imediatas. 

O mercado de ativos virtuais, assim como outros mercados financeiros, é marcado por volatilidade e não permite prever resultados com certeza. 

Nesse contexto, iniciativas voltadas à educação financeira e à prevenção de fraudes têm ganhado relevância. Um exemplo é o ContraGolpe, ferramenta gratuita desenvolvida pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em parceria com a ABcripto, que ajuda investidores a identificar sinais de alerta em ofertas de investimento. Por meio de um questionário simples, o usuário recebe uma avaliação de risco e orientações sobre como agir diante de propostas suspeitas. A proposta é justamente fortalecer a capacidade crítica do investidor diante de abordagens que exploram urgência, promessas de retorno elevado ou falta de transparência — características comuns em golpes financeiros. 

O papel das corretoras na proteção dos usuários

À medida que o setor se desenvolve, as prestadoras de serviços de ativos virtuais têm ampliado suas camadas de proteção e monitoramento. 

Hoje já são comuns ferramentas capazes de identificar padrões suspeitos de movimentação, analisar transações em blockchain e mapear endereços associados a fraudes conhecidas. Esses mecanismos permitem que plataformas detectem atividades potencialmente arriscadas e adotem medidas preventivas. 

Entre as iniciativas que vêm ganhando espaço no setor estão: 

  • alertas de risco antes da confirmação de determinadas transferências, permitindo que o usuário reavalie a operação; 

  • monitoramento de padrões atípicos de transação, com base em análise de dados e inteligência de risco; 

  • campanhas educativas e conteúdos de conscientização, voltados à segurança digital e financeira. 

Outro fator relevante é a proximidade entre plataformas e usuários. Estruturas de atendimento eficientes ajudam a esclarecer dúvidas, identificar possíveis fraudes em estágios iniciais e orientar o investidor antes que uma operação seja concluída. 

Esse diálogo contínuo contribui para criar um ambiente mais seguro e transparente para todos os participantes do mercado. 

Na prática, diversas plataformas que atuam no Brasil vêm incorporando essas camadas de proteção de forma progressiva. A Coinext, por exemplo, tem estruturado sua operação com foco em segurança, combinando monitoramento de transações, controles de acesso e iniciativas de educação do usuário. Esse movimento reflete uma tendência mais ampla do setor, em que a proteção deixa de ser um recurso complementar e passa a integrar a própria arquitetura dos serviços oferecidos. 

Boas práticas de segurança para usuários

Mesmo com avanços tecnológicos e mecanismos de proteção cada vez mais sofisticados, a segurança no ambiente digital continua sendo uma responsabilidade compartilhada. 

Algumas práticas simples ajudam a reduzir significativamente os riscos: 

  • sempre acessar plataformas por meio dos sites e aplicativos oficiais; 

  • ativar autenticação em dois fatores (2FA) em todas as contas; 

  • evitar compartilhar códigos de verificação ou informações sensíveis com terceiros; 

  • verificar a autenticidade de contatos que afirmem representar empresas do setor; 

  • desconfiar de promessas de retornos garantidos ou oportunidades exclusivas de investimento. 

A adoção dessas medidas fortalece a proteção individual e contribui para um ambiente mais confiável para todo o ecossistema. 

A segurança no mercado de ativos virtuais é construída a partir de uma combinação de fatores: tecnologia, governança e comportamento informado dos usuários. 

Enquanto as prestadoras de serviços investem continuamente em infraestrutura, monitoramento e políticas de conformidade, os usuários desempenham um papel igualmente importante ao adotar práticas responsáveis no uso das plataformas. 

Esse esforço conjunto tem sido fundamental para o amadurecimento da criptoeconomia. À medida que o setor evolui, a disseminação de informação qualificada e o fortalecimento das boas práticas ajudam a reduzir riscos e ampliar a confiança no uso de ativos digitais. 

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